Engenharia Sustentável
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EM BREVE

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Implantação de edificações

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Norman Foster, em seu artigo Architecture and Sustainability (1990), propõe uma análise crítica do impacto ambiental das construções, discutindo o papel da arquitetura e engenharia no processo. O autor conclui que, antes de buscar as respostas certas, devemos fazer as perguntas certas: “Por que ocupar novas áreas, quando podemos recuperar áreas? Por que demolir edifícios que poderiam ser utilizados para novos usos? Por que utilizar intensa iluminação artificial onde podemos aproveitar a luz do dia? Por que utilizar condicionamento de ar onde nós podemos simplesmente abrir uma janela?”.

A primeira questão levantada por Foster nos coloca a importância de se pensar no contexto urbano que a edificação está inserida. Como civilização, parece que o ser humano escolheu as cidades para viver. Hoje, a maioria das pessoas no mundo vive nas cidades, como uma tendência crescente. Apesar de à primeira vista as cidades não serem a forma mais ambientalmente correta de assentamento humano, ao analisar tal fato sob a ótica das nossas necessidades funcionais de moradia, trabalho e lazer, podemos chegar a outras conclusões. A densidade da ocupação do território que usamos para atender a estas necessidades tem influência direta no impacto de nossos assentamentos no meio ambiente natural. Steemers (2003), Mindali et al. (2004), Kondo et al. (2005) e Newman (2006), estudaram a relação da densidade urbana com o consumo de energia. Huang e Hsu (2001) e ller (2006) estudaram a relação da densidade urbana e o impacto ambiental de consumo de recursos naturais. De modo geral, a conclusão geral foi de que as densidades mais elevada são mais eficientes no uso dos recursos, apresentando, portanto, menor impacto ambiental.

Por isso, a sustentabilidade da construção tem início na escolha de onde ela será construída. Um assentamento urbano compacto e multifuncional responde melhor às nossas necessidades funcionais de moradia, trabalho e lazer com melhor desempenho energético e ambiental. A Comissão Europeia, em seu programa The Sixth Environment Action Programme of the European Community 2002 – 2012, (http://ec.europa.eu/environment/newprg/strategies _en.htm) defende que cidades compactas e multifuncionais têm melhores condições de se desenvolverem rumo à sustentabilidade.
Uma cidade socialmente inclusiva tem melhores condições de responder às questões colocadas pela sustentabilidade. Uma cidade compacta e multifuncional permite um uso eficiente de nossos recursos. Investir em infraestrutura com objetivo de minimizar a necessidade de deslocamentos, diversificar os usos e permitir o lazer público vai de encontro às necessidades da sustentabilidade.

Portanto, na implantação da edificação existem algumas estratégias que permitem o uso mais eficiente dos recursos. Entre elas, podemos destacar:

  • prioridade para terrenos próximo de infraestrutura urbana;
  • estudos de implantação, buscado minimizar a superfície a ser utilizada pela construção;
  • análise da possibilidade de reutilização e reforma de edificações e construções existentes, frente ao programa de necessidades do empreendimento;
  • se for necessário uma edificação nova, evitar a demolição de construções existentes;
  • sempre que possível, aproveitar partes das construções existentes;
  • integrar a nova edificação às construções existentes; e
  • analisar a influência do empreendimento frente a futuras construções.

Espaços otimizados

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Concebemos espaços para atender funcionalmente a certas necessidades de uso. Sob a ótica do consumo de materiais, algumas concepções espaciais podem atender às nossas necessidades de forma mais eficiente que outras. Alguns ambientes, como os de circulação ou corredores, devem merecer atenção especial. Os corredores são ambientes de transição que têm a função única de ligar espaços. Os corredores são áreas apenas de passagem e não permanecemos neles. Eles são, portanto, espaços entre espaços. Para otimizar os espaços de circulação podemos ou eliminá-los, sem prejuízo da função de conexão, ou aumentá-los, agregando outras funções a eles.

A otimização dos espaços também passa por estratégias como a multifuncionalidade, a flexibilidade, a adaptabilidade e a agregação de funções. Ao reunirmos funções em um mesmo ambiente, podemos reduzir nossa necessidade de outros ambientes para acolher determinadas funções. A flexibilidade permite a liberdade de reformular a organização do espaço interno. Segundo Rabeneck et al. (1974) as estratégias de projeto que permitem a flexibilização dos espaços são:

  • uso de divisórias internas não portantes e removíveis;
  • a ausência de colunas dividindo os ambientes ou uso de grandes vãos;
  • a concepção das instalações setorizadas e desvinculadas das vedações;
  • setorização da área úmida, das instalações de serviços e da área seca;
  • localização das portas e das janelas, de maneira a permitir mudança de posição sem comprometer as funções das vedações; e
  • uso de formas geométricas simples nos ambientes.

Na estratégia de agregação de funções no espaço, concebemos ambientes com duas ou mais funções compatíveis. Estas funções podem ocorrer simultaneamente ou em momentos distintos, tornando os ambientes multifuncionais. Ao reunir funções no mesmo espaço, diminuímos tanto a necessidade de ambientes na edificação quanto a necessidade de elementos e componentes construtivos para separação dos ambientes.

A estratégia de adaptabilidade busca conceber os espaços de forma a permitir uma variação de uso e função dos mesmos. Assim, no projeto não são determinadas condições rígidas de uso dos espaços, permitindo que o usuário decida como usá-los.

As estratégias de flexibilização e multifuncionalidade dos espaços, além de otimizar os mesmos, mostra-se adequada para evitar a obsolescência funcional da edificação, que é agravada pelo fenômeno contemporâneo de surgimento de novas demandas de uso para os espaços construídos. Essas novas demandas são decorrentes das mudanças profundas que ocorrem em nosso estilo de vida, tornam-se cada vez mais velozes e repercutem na concepção de nossas habitações e espaços construídos de modo bem mais lento. Um exemplo desta mudança é o desenvolvimento de grande variedade de equipamentos elétricos e eletrônicos que usamos para nossas atividades de moradia, trabalho e lazer, e a importância que os mesmos possuem em nossa qualidade de vida. De modo geral, as edificações e construções existentes e concebidas de forma convencional podem ser atualizadas para estas novas funções, especialmente nos aspectos de infraestrutura de instalações. Podemos, por exemplo, implantar uma rede de internet em uma edificação antiga e usar nossos computadores nela para trabalhar. Porém, algumas mudanças em nosso estilo de vida implicam uma adequação espacial da construção. A dinâmica das atividades que desenvolvemos muitas vezes altera radicalmente o uso de determinada edificação, podendo ser necessária uma intervenção na construção. Caso seja necessária uma adequação construtiva do espaço, teremos, entre outras consequências, o consumo de recursos naturais. Nossas edificações são projetadas para durar 50 anos ou mais, e a adequação do espaço também deve ser pensada para este período.

Modulação

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A estratégia projetual de modulação da construção compreende a adoção de padrões ou regras que definem as medidas dos componentes construtivos e dos espaços construídos. Por meio do estabelecimento destas regras podemos integrar sistemicamente a edificação e coordenar toda as informações construtivas da mesma. As regras de modulação podem se repetir ou admitir variações segundo aspectos básicos da mesma. Ao sistematizar a construção, a modulação racionaliza o processo de produção do espaço, desde o projeto até a construção final. Usualmente, esta ordenação e racionalização adota uma referência para a regra chamada módulo. A partir deste modulo, são definidos todos os elementos e componentes da construção. Esta estratégia é utilizada frequentemente em obras de grande porte, uma vez que proporcionam um método construtivo rápido e econômico, tanto de recursos financeiros quanto de recursos de materiais, o que é de especial interesse para nossa presente discussão. Com exemplo de uso da modulação podemos citar conjuntos habitacionais, hospitais, escolas, edifícios comerciais e industriais, entre outros.

As regras da modulação devem ser observadas desde as etapas conceituais de pré-dimensionamento da construção. A geometria dos espaços deve, por exemplo, ser múltipla do módulo espacial de referência, entendido como módulo básico. Estas regras de modulação devem estar presentes em todos os sistemas construtivos: estruturais, instalações, vedações, coberturas, entre outros.