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Reuso e reciclagem

Reuso e reciclagem dos resíduos de construção e demolição

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Os resíduos de construção e demolição (RCDs) são os resíduos provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha.

A composição média dos RCDs depende de diferentes fatores: tipologia construtiva, técnicas construtivas e materiais disponíveis em cada local. No Brasil, não existem dados que permitam quantificar e caracterizar os RCDs produzidos de forma precisa. A grandeza territorial e a diversidade de técnicas e materiais de construção utilizados tornam ainda mais difícil essa tarefa.

Em função da heterogeneidade dos RCDs, a estratégia para sua reciclagem envolve o gerenciamento da coleta, tratamentos térmicos e/ou mecânicos, e sua destinação final. É na etapa de tratamento que se define as características e, consequentemente, o destino dos RCDs.

Seu beneficiamento se inicia nas áreas de triagem (dentro da própria obra ou em Áreas de Transbordo e Triagem − ATT), onde ocorre a separação grosseira dos resíduos de acordo com os materiais que os compõem e com o grau de contaminação e toxidade associado a eles. A separação pode ser manual ou feita com auxílio de peneiras rotativas e de um classificador de ar.

A separação por líquidos densos têm sido estudada como possibilidade de melhoria no processo de segregação. Comumente são separados os resíduos tóxicos, os papéis, os sacos de cimento, os plásticos, os metais, a madeira o gesso, a terra e os resíduos à base de alvenarias e concreto/argamassas. Os materiais passíveis de reciclagem são enviados para uma destinação adequada.

Os maiores volumes de RCDs gerados são compostos por fragmentos de alvenaria, concreto e argamassas (resíduos Classe A). Se não contaminados por gesso ou matéria orgânica, são destinados às usinas de reciclagem, onde são submetidos à britagem e separação granulométrica, de modo a produzir os chamados agregados reciclados.

Muitos outros RCDs também são reciclados. Os caibros, vigas, pontaletes, sarrafos e outros resíduos de madeira são fragmentados e usados, quando não contaminados, como combustíveis em caldeiras e fornalhas de indústrias. Se contaminados, podem ser utilizados na fabricação de painéis. A reciclagem dos plásticos envolve usualmente a conversão dos descartes plásticos pósconsumo em grânulos que podem ser reutilizados na fabricação de outros produtos, como sacos de lixo, solados, pisos, conduítes, mangueiras, componentes de automóveis, fibras, embalagens não-alimentícias e muitos outros. Os resíduos metálicos são matéria-prima para as siderúrgicas.

Os sacos de cimento podem ser utilizados na produção de tijolos, bolsas e na indústria moveleira. Os papéis não contaminados são consumidos nas indústrias de celulose. A reciclagem do gesso se inicia pela moagem, retirada de impurezas e calcinação a baixa temperatura. As placas de gesso acartonado também podem ser fonte de gesso após a retirada das impurezas e do papel.

Atualmente, a Comunidade Europeia reaproveita em média 25% do volume de RDC produzido. Este dado, se comparado ao da Holanda, que consegue um reaproveitamento de 80%, é um índice muito baixo, mostrando que existem diferenças dentro da própria Europa. No Brasil, identifica-se uma falta de índices sobre a produção e reciclagem de resíduos da construção. Em Belo Horizonte, onde se tem uma ação mais efetiva da prefeitura sobre o problema, a produção de resíduos da construção e demolição está na casa dos 40% do volume total de resíduos recolhidos na cidade, de acordo com informações obtidas nos órgãos competentes.

Em Belo Horizonte, referência mundial em gerenciamento de resíduos sólidos, nas centrais de reciclagem da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), após a recepção e controle do grau de contaminação, ocorre a triagem por inspeção visual de plásticos, metais, papéis e madeiras. O material triado é britado e separado por granulometria. Nas correias transportadoras, um eletroímã faz uma triagem mais fina dos metais presentes nos RCDs. São produzidos separadamente agregados reciclados provenientes de concretos/argamassas e de concretos/argamassas/alvenarias. Em uma das usinas, esses agregados são utilizados para a fabricação de blocos de concreto sem fins estruturais.