Engenharia Sustentável
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EM BREVE

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Uso de fontes alternativas

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

As estratégias de uso fontes alternativas da água adotam tecnologias como poços artesianos, o aproveitamento de água de chuva e o reaproveitamento de águas residuárias. Estas estratégias têm o potencial de suprir a totalidade da água a ser utilizada na edificação.

Os poços artesianos devem ser utilizados com parcimônia, uma vez que podem comprometer o balanço hídrico da região, diminuindo a recarga dos lençóis freáticos.

As tecnologias de aproveitamento de água de chuva vêm recebendo bastante atenção atualmente. Países como Alemanha e Austrália introduziram políticas públicas para incentivar o uso das águas pluviais (Stormwater Harvesting Guidelines – Australia). A água é, geralmente, recolhida dos telhados das casas e utilizada para a irrigação de jardins e plantas, limpeza de áreas externas e lavagem de carros. A água de chuva também pode ser usada para descarga de banheiros, por meio de um sistema hidráulico independente do sistema de água potável. Os métodos utilizados para o recolhimento da água vão desde pequenos baldes até grandes tanques associados ou não a sistemas de filtragem.

Para que o uso da água de chuva seja uma medida efetiva de benefícios ambientais e econômicos é necessário o dimensionamento correto do sistema de captação e armazenamento da água. O dimensionamento do sistema vai ser influenciado por fatores como a área disponível para a coleta, a demanda e a quantidade de chuvas disponíveis. A viabilidade econômica do sistema de coleta de chuva vai ser determinada não só pela quantidade e abundância das águas pluviais, mas também pela regularidade de sua distribuição durante o ano. O estudo econômico da implantação de reservatórios de coleta de chuva considerando a diversidade pluviométrica das diferentes localidades é importante para incentivar a adoção dessa fonte alternativa de água.

As estratégias de reaproveitamento de águas residuárias consistem em tratar e reaproveitar, dentro da edificação, águas de esgotamento sanitário gerado pela própria edificação. Assim como o sistema de reaproveitamento de água de chuva, o sistema de reaproveitamento de águas residuárias deve ser independente do sistema convencional de distribuição de água, e deve-se ter o mesmo cuidado em seu dimensionamento com relação aos reservatórios, dados de demandas e locais de uso. Nos sistemas, podem ser utilizados equipamentos como estações de tratamento de esgotos compactas – ETE compactas ou mesmo tratamento por raízes de plantas.

As estratégias de gestão visam a garantir a performance dos diversos sistemas de uso da água na edificação. Para tanto, é estruturado um Plano de Controle da Água – PCA, que monitora o desempenho do sistema e realiza a manutenção do mesmo, mantendo as características de eficiência no uso da água. A gestão da água tem um papel importante na manutenção da economia durante o uso e operação da edificação.

Além de estratégias economizadoras e de fontes alternativas, é importante a análise de todos os sistemas da edificação que podem influenciar no consumo de água. O paisagismo, por exemplo, é, muitas vezes, responsável pela maior parte do consumo de água da edificação. A concepção de um projeto de paisagismo adequado e resistente ao clima local, não requerendo rega, e outras soluções que normalmente necessitariam de água são recomendáveis.

Implantação de edificações

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

Norman Foster, em seu artigo Architecture and Sustainability (1990), propõe uma análise crítica do impacto ambiental das construções, discutindo o papel da arquitetura e engenharia no processo. O autor conclui que, antes de buscar as respostas certas, devemos fazer as perguntas certas: “Por que ocupar novas áreas, quando podemos recuperar áreas? Por que demolir edifícios que poderiam ser utilizados para novos usos? Por que utilizar intensa iluminação artificial onde podemos aproveitar a luz do dia? Por que utilizar condicionamento de ar onde nós podemos simplesmente abrir uma janela?”.

A primeira questão levantada por Foster nos coloca a importância de se pensar no contexto urbano que a edificação está inserida. Como civilização, parece que o ser humano escolheu as cidades para viver. Hoje, a maioria das pessoas no mundo vive nas cidades, como uma tendência crescente. Apesar de à primeira vista as cidades não serem a forma mais ambientalmente correta de assentamento humano, ao analisar tal fato sob a ótica das nossas necessidades funcionais de moradia, trabalho e lazer, podemos chegar a outras conclusões. A densidade da ocupação do território que usamos para atender a estas necessidades tem influência direta no impacto de nossos assentamentos no meio ambiente natural. Steemers (2003), Mindali et al. (2004), Kondo et al. (2005) e Newman (2006), estudaram a relação da densidade urbana com o consumo de energia. Huang e Hsu (2001) e ller (2006) estudaram a relação da densidade urbana e o impacto ambiental de consumo de recursos naturais. De modo geral, a conclusão geral foi de que as densidades mais elevada são mais eficientes no uso dos recursos, apresentando, portanto, menor impacto ambiental.

Por isso, a sustentabilidade da construção tem início na escolha de onde ela será construída. Um assentamento urbano compacto e multifuncional responde melhor às nossas necessidades funcionais de moradia, trabalho e lazer com melhor desempenho energético e ambiental. A Comissão Europeia, em seu programa The Sixth Environment Action Programme of the European Community 2002 – 2012, (http://ec.europa.eu/environment/newprg/strategies _en.htm) defende que cidades compactas e multifuncionais têm melhores condições de se desenvolverem rumo à sustentabilidade.
Uma cidade socialmente inclusiva tem melhores condições de responder às questões colocadas pela sustentabilidade. Uma cidade compacta e multifuncional permite um uso eficiente de nossos recursos. Investir em infraestrutura com objetivo de minimizar a necessidade de deslocamentos, diversificar os usos e permitir o lazer público vai de encontro às necessidades da sustentabilidade.

Portanto, na implantação da edificação existem algumas estratégias que permitem o uso mais eficiente dos recursos. Entre elas, podemos destacar:

  • prioridade para terrenos próximo de infraestrutura urbana;
  • estudos de implantação, buscado minimizar a superfície a ser utilizada pela construção;
  • análise da possibilidade de reutilização e reforma de edificações e construções existentes, frente ao programa de necessidades do empreendimento;
  • se for necessário uma edificação nova, evitar a demolição de construções existentes;
  • sempre que possível, aproveitar partes das construções existentes;
  • integrar a nova edificação às construções existentes; e
  • analisar a influência do empreendimento frente a futuras construções.

Espaços otimizados

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

Concebemos espaços para atender funcionalmente a certas necessidades de uso. Sob a ótica do consumo de materiais, algumas concepções espaciais podem atender às nossas necessidades de forma mais eficiente que outras. Alguns ambientes, como os de circulação ou corredores, devem merecer atenção especial. Os corredores são ambientes de transição que têm a função única de ligar espaços. Os corredores são áreas apenas de passagem e não permanecemos neles. Eles são, portanto, espaços entre espaços. Para otimizar os espaços de circulação podemos ou eliminá-los, sem prejuízo da função de conexão, ou aumentá-los, agregando outras funções a eles.

A otimização dos espaços também passa por estratégias como a multifuncionalidade, a flexibilidade, a adaptabilidade e a agregação de funções. Ao reunirmos funções em um mesmo ambiente, podemos reduzir nossa necessidade de outros ambientes para acolher determinadas funções. A flexibilidade permite a liberdade de reformular a organização do espaço interno. Segundo Rabeneck et al. (1974) as estratégias de projeto que permitem a flexibilização dos espaços são:

  • uso de divisórias internas não portantes e removíveis;
  • a ausência de colunas dividindo os ambientes ou uso de grandes vãos;
  • a concepção das instalações setorizadas e desvinculadas das vedações;
  • setorização da área úmida, das instalações de serviços e da área seca;
  • localização das portas e das janelas, de maneira a permitir mudança de posição sem comprometer as funções das vedações; e
  • uso de formas geométricas simples nos ambientes.

Na estratégia de agregação de funções no espaço, concebemos ambientes com duas ou mais funções compatíveis. Estas funções podem ocorrer simultaneamente ou em momentos distintos, tornando os ambientes multifuncionais. Ao reunir funções no mesmo espaço, diminuímos tanto a necessidade de ambientes na edificação quanto a necessidade de elementos e componentes construtivos para separação dos ambientes.

A estratégia de adaptabilidade busca conceber os espaços de forma a permitir uma variação de uso e função dos mesmos. Assim, no projeto não são determinadas condições rígidas de uso dos espaços, permitindo que o usuário decida como usá-los.

As estratégias de flexibilização e multifuncionalidade dos espaços, além de otimizar os mesmos, mostra-se adequada para evitar a obsolescência funcional da edificação, que é agravada pelo fenômeno contemporâneo de surgimento de novas demandas de uso para os espaços construídos. Essas novas demandas são decorrentes das mudanças profundas que ocorrem em nosso estilo de vida, tornam-se cada vez mais velozes e repercutem na concepção de nossas habitações e espaços construídos de modo bem mais lento. Um exemplo desta mudança é o desenvolvimento de grande variedade de equipamentos elétricos e eletrônicos que usamos para nossas atividades de moradia, trabalho e lazer, e a importância que os mesmos possuem em nossa qualidade de vida. De modo geral, as edificações e construções existentes e concebidas de forma convencional podem ser atualizadas para estas novas funções, especialmente nos aspectos de infraestrutura de instalações. Podemos, por exemplo, implantar uma rede de internet em uma edificação antiga e usar nossos computadores nela para trabalhar. Porém, algumas mudanças em nosso estilo de vida implicam uma adequação espacial da construção. A dinâmica das atividades que desenvolvemos muitas vezes altera radicalmente o uso de determinada edificação, podendo ser necessária uma intervenção na construção. Caso seja necessária uma adequação construtiva do espaço, teremos, entre outras consequências, o consumo de recursos naturais. Nossas edificações são projetadas para durar 50 anos ou mais, e a adequação do espaço também deve ser pensada para este período.

Modulação

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

A estratégia projetual de modulação da construção compreende a adoção de padrões ou regras que definem as medidas dos componentes construtivos e dos espaços construídos. Por meio do estabelecimento destas regras podemos integrar sistemicamente a edificação e coordenar toda as informações construtivas da mesma. As regras de modulação podem se repetir ou admitir variações segundo aspectos básicos da mesma. Ao sistematizar a construção, a modulação racionaliza o processo de produção do espaço, desde o projeto até a construção final. Usualmente, esta ordenação e racionalização adota uma referência para a regra chamada módulo. A partir deste modulo, são definidos todos os elementos e componentes da construção. Esta estratégia é utilizada frequentemente em obras de grande porte, uma vez que proporcionam um método construtivo rápido e econômico, tanto de recursos financeiros quanto de recursos de materiais, o que é de especial interesse para nossa presente discussão. Com exemplo de uso da modulação podemos citar conjuntos habitacionais, hospitais, escolas, edifícios comerciais e industriais, entre outros.

As regras da modulação devem ser observadas desde as etapas conceituais de pré-dimensionamento da construção. A geometria dos espaços deve, por exemplo, ser múltipla do módulo espacial de referência, entendido como módulo básico. Estas regras de modulação devem estar presentes em todos os sistemas construtivos: estruturais, instalações, vedações, coberturas, entre outros.

Critérios para escolha sustentável de materiais

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

As atividades do setor da construção civil são responsáveis por elevados impactos ambientais, relacionados, principalmente, à extração de altas quantidades de matérias-primas não renováveis, aos elevados consumos energéticos, às emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa e à produção de resíduos perigosos.

Torna-se essencial, portanto, adotar novas práticas e atitudes capazes de criar um ambiente construído saudável, baseado na utilização eficiente de recursos e em princípios ecológicos. É dentro deste contexto que está inserida a denominada “construção sustentável”.

Em 1994, o Conselho Internacional da Construção – CIB, definiu sete princípios para a construção sustentável (KIBERT, 2008 apud TORGAL e JALALI, 2010):

  • redução do consumo de recursos;
  • reutilização de recursos;
  • utilização de recursos recicláveis;
  • proteção da natureza;
  • eliminação de tóxicos;
  • aplicação de análises de ciclo de vida em termos econômicos;
  • ênfase na qualidade.

Nos últimos anos, diversos métodos capazes de avaliar a sustentabilidade de uma construção foram desenvolvidos, tais como ferramentas computacionais para análise do ciclo de vida, ou sistemas de certificação ambiental. Muitos destes métodos têm aplicação específica para edifícios, os quais possuem papel de destaque no âmbito da construção sustentável.

Este fato, provavelmente, está relacionado com o elevado consumo energético operacional dos edifícios, o que não ocorre com as demais obras. Muitos esforços foram feitos no sentido da redução da energia operacional, por meio do aumento da eficiência energética dos edifícios. Porém, à medida que a energia operacional é reduzida, a parcela referente à energia incorporada nos materiais de construção torna-se cada vez mais preponderante (TORGAL e JALALI, 2010).

Conforme SPIEGEL e MEADOWS (2006) apud SILVA (2007), a interseção entre sustentabilidade e uso de materiais abrange duas questões principais:

  • O que estamos usando?
  • Quão bem estamos usando?

A resposta à primeira pergunta tem impactos importantes nos recursos naturais e na saúde relativa do ambiente. Os que recursos que estamos usando podem ser inesgotáveis no horizonte humano de tempo, ou seja, renováveis, ou não.

A pergunta sobre quão bem estamos usando tais recursos deve ser respondida considerando as implicações no desempenho do material, incluindo durabilidade, eficiência energética, quantidade de resíduo gerado e potencial para reuso e reciclagem (SPIEGEL e MEADOWS, 2006 apud SILVA, 2007).

Dentro deste contexto, ISAIA (2010) afirma que, em contraposição com o conceito de produção tradicional em ciclo aberto, no qual sempre há descarte ou resíduos, o novo conceito de desenvolvimento sustentável deve adotar o ciclo de produção fechado, no qual as perdas durante todas as etapas são mínimas e o descarte é próximo de zero. Esse processo sustentável de produção baseia-se, portanto, na redução do consumo de materiais e de matérias-primas, por meio das seguintes ações:

  • aperfeiçoamento dos projetos, de forma a minimizar e otimizar o consumo de materiais;
  • substituição de materiais tradicionais com alto conteúdo energético ou descarte por outros com melhor eficiência de relação energia/massa;
  • aumento da durabilidade dos materiais pela seleção daqueles com melhor desempenho e maior vida útil;
  • redução da geração de resíduos e sua reutilização por meio da reciclagem.

JOHN e GLEIZE (2010) ressaltam a importância do desenvolvimento de materiais de alta eco-eficiência, que:

  • apresentem grande durabilidade;
  • propiciem, quando comparados com as soluções tradicionais, menor impacto ambiental da construção ao longo do seu ciclo de vida;
  • sejam recicláveis ou desmontáveis e reutilizáveis;
  • permitam consumo de materiais muito inferior ao dos materiais tradicionais, atendendo as diferentes funções: estruturais, isolamento acústico, térmico, entre outras. Este critério está relacionado com a desmaterialização da construção: construir utilizando menos matérias-primas.

Segundo TORGAL e JALALI (2010), os materiais de construção eco-eficientes são aqueles que, dentre as várias alternativas possíveis, apresentam menor impacto ambiental. Os mesmos autores afirmam que, do ponto de vista da sustentabilidade, a escolha dos materiais de construção deve privilegiar aqueles que:

  • originam-se de fontes renováveis;
  • não apresentem toxicidade;
  • possuam baixa energia incorporada;
  • sejam recicláveis e duráveis;
  • possam permitir o reaproveitamento de resíduos de outras indústrias;
  • estejam associados a baixas emissões de gases responsáveis pelo aumento do efeito estufa (GEE);
  • tenham sido escolhidos levando-se em conta uma análise do seu ciclo de vida.

Conforme afirmam SUZUKI e McCONNELL (1997), o crescimento exponencial da população fará com que, em algum momento, a demanda por recursos não renováveis superará a sua disponibilidade. Neste sentido, a utilização de materiais provenientes de fontes renováveis contribui de forma significativa para o desenvolvimento sustentável.

A durabilidade do material de construção e a facilidade de manutenção do mesmo, também devem ser consideradas quando se trata de sustentabilidade. Isto porque um material mais durável apresentará maior vida útil e, consequentemente, menor impacto ambiental e um material de mais fácil manutenção além de contribuir para reduzir o consumo de recursos naturais, ainda reduz os custos operacionais.

Toxidade dos materiais de construção

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

As construções correntes incorporam milhares de combinações de químicos e metais pesados. São diversos os materiais de construção que apresentam algum grau de toxicidade, seja esta relacionada aos impactos ambientais da sua produção, à redução da qualidade do ar do interior das edificações ou mesmo à presença em sua composição de resíduos tóxicos.

De modo geral, as principais substâncias tóxicas a serem consideradas são:

Organoclorados (dioxinas e furanos) – são resíduos químicos provenientes de processos industriais que envolvem cloro, como por exemplo, os relacionados à produção do policloreto de vinila (PVC), que é um polímero formado basicamente por cloro e etileno. Os organoclorados são emitidos para o ar e, se inaladas, acarretam riscos à saúde, com a agravante de serem bioacumuláveis no organismo. A contaminação pode se estender a toda a biodiversidade em decorrência da estrutura da cadeia alimentar. Apesar de não existirem estudos conclusivos sobre os riscos a saúde humana do uso do PVC como material de construção, os impactos negativos durante sua produção justifica considerar sua substituição por alternativas, quando isso for possível.

Compostos orgânicos voláteis (COV’s) – Entre as principais questionamentos atuais sobre a toxidade dos materiais construtivos podemos citar os Compostos Orgânicos Voláteis ou COV’s. Os COV’s são compostos a base de carbono como hidrocarbonetos aromáticos e alifáticos, hidrocarbonetos contendo halogênio, cetonas, ésteres, álcoois, que volatizam a temperatura de 50ºC a 260ºC. Os COV’s são tóxicos, cancerígenos e poluidores. Eles são liberados por diversos materiais e elementos construtivos como tintas, vernizes, solventes, adesivos, carpetes, contraplacados e produtos de limpeza. Além da toxidade, os COV’s quando liberados na atmosfera contribuem para o fenômeno de smog fotoquímico, uma névoa de poluição que aparece nas cidades devido a reação fotoquímica, ou seja, na presença da luz solar, do oxido de nitrogênio e dos COV’s com o ozônio troposférico.

Vários estudos forma realizados para analisar as emissões de COV’s pelos materiais e componentes construtivos. A maioria destes estudos buscou caracterizar e quantificar as emissões e relacioná-las com os impactos no meio ambiente e na saúde humana. Os resultados mostraram que os materiais e produtos de construção de base polimérica emitem COV’s e diminuem a qualidade do ar no interior das edificações causando danos a saúde humana e poluem o meio ambiente natural (Popa & Haghighat, 2003). Por isso devemos dar preferência a materiais e componentes de baixa emissão de COV’s como por exemplo, tintas, vernizes e adesivos a base de água.

Materiais contento amianto – Assim como os COV’s, também o amianto ou asbesto vem sendo questionado quanto ao seu impacto negativo na saúde humana. O asbesto é o nome comercial dados a várias fibras de minerais metamórficas de ocorrência natural. Devido as suas propriedade de grande flexibilidade, e alta resistência a tração, química e térmica, o asbesto é utilizado em vários produtos para construção como telhas, placas, revestimentos, isolamentos e tubos. As fibras minerais do asbesto produzem um pó de partículas muito pequenas em escala nanométricas que particulam no ar e são facilmente inaladas e ingeridas provocando sérios danos a saúde. Mossman et.al (1990), Wang et. al (2011), Cullinan & Pearce (2012), estudaram estes possíveis danos nas edificações e concluíram que o uso de materiais com bases em fibras de asbesto apresentam graves danos a saúde dos usuários dos edifícios.

O asbesto possuem fibras de origem anfibólia e crisotila. O asbesto anfibólico apresenta alta toxidade e atualmente é proibido em todo mundo. O asbesto crisotilo é proibido em algumas regiões do planeta, mas em outras regiões ele é amplamente utilizados. Muitos pesquisadores defende a proibição total de seu uso. A União Europeia proíbe o uso de qualquer tipo de asbesto desde de 2005, assim como o Canadá, Argentina, Chile e Uruguai. No Brasil alguns estados e cidades proíbem o uso de qualquer tipo amianto, mas, em grande parte do território seu uso é permitido. Face aos potenciais riscos a saúde humana, em uma seleção de materiais construtivos com uma abordagem na sustentabilidade, os produtos que utilizam amianto devem ser evitados.

Metais pesados – Os metais pesados podem ser lixiviados e contaminar corpos d’água e solo trazendo danos à saúde. Como exemplo podemos citar o uso de chumbo para fabricação de canalizações para abastecimento de água, que por sua vez sofre contaminação em consequência dos produtos de corrosão formados em sua superfície interna. Pessoas contaminadas podem sofrer redução de capacidades intelectuais, problemas de comportamento e até mesmo morte por envenenamento (CANFIELD et al., 2003; TROESKEN, 2006).

Assim, a escolha dos materiais deve ser feita com especial cuidado, sempre selecionando alternativas a materiais tóxicos ou perigosos e ponderando a utilização dos quais possa haver dúvidas quanto à sua toxidade.

A energia incorporada nos materiais de construção

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

A redução do consumo energético possui um papel fundamental para a construção sustentável, uma vez que o elevado consumo mundial de energia é uma das principais causas para o desenvolvimento insustentável do planeta. Dentro deste contexto, assume fundamental importância a parcela de energia incorporada nos materiais de construção.

A energia incorporada nos materiais de construção (embodied energy) é definida como a energia consumida durante a sua vida útil e, dependendo da abordagem considerada, pode englobar:

  • apenas a energia necessária para colocar o material no portão da fábrica (cradle to gate);
  • a energia utilizada na extração das matérias primas para a produção, transporte e aplicação dos materiais na obra (cradle to site);
  • todos os consumos, desde a produção até a fase de demolição e de deposição (cradle to grave).

Os consumos relacionados à produção dos materiais dependem da especificidade de cada processo produtivo, variando de acordo com o país no qual o material é produzido.

A parcela da energia de transporte varia segundo o modo de transporte utilizado: aéreo marítimo, ferroviário ou rodoviário. À princípio, deve-se privilegiar a utilização de materiais locais, como forma de reduzir a sua energia incorporada.

THOMARK (2006) apud TORGAL e JALALI (2010) afirma que pode-se obter uma redução em 17% na energia gasta na construção do edifício escolhendo-se adequadamente os materiais de construção.

Reuso e reciclagem dos materiais de construção

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

Conforme GUNGOR e GUPTA (1999), os maiores riscos ambientais ocorrem no final do ciclo de vida dos materiais. Assim, o desenvolvimento de técnicas para a gestão dos materiais no final de seu ciclo de vida, pelo reuso ou reciclagem, é fundamental.

Os materiais recicláveis possuem vantagens ambientais evidentes, uma vez que, esgotada a sua vida útil, podem dar origem a outros materiais. A reciclagem de produtos também pode reduzir o impacto ambiental. Segundo TORGAL e JALALI (2007), um produto que pode ser facilmente reciclado, como, por exemplo, os metais, apresenta vantagens em relação a um produto inicialmente “verde”, mas que não pode ser reciclado. Além disso, a utilização de materiais recicláveis obviamente implica em uma economia de materiais virgens ou não renováveis.

Ainda segundo TORGAL e JALALI (2010), um bom exemplo das vantagens econômicas da reciclagem dos resíduos de construção e demolição (RCD), é trazido pela Agência de Ambiente dos Estados Unidos – EPA (2002), a qual refere que enquanto a incineração de 10.000 toneladas de resíduos pode significar a criação de um posto de trabalho, o seu depósito em aterro representa 6 postos de trabalho, contudo se a mesma quantidade de resíduos for reciclada isso pode significar 36 postos de trabalho. Assumindo que o estado de Minas Gerais produz aproximadamente 20 mil toneladas diárias de resíduos sólidos, a reciclagem dos mesmos seria capaz de criar vários milhares de postos de trabalho.

Incorporação de resíduos nos materiais de construção

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

A indústria da construção é potencialmente importante para a incorporação de resíduos em seus produtos devido, principalmente, à variedade de materiais utilizados, à magnitude dos volumes processados, e porque, uma vez incorporados em materiais e edificações, os resíduos são imobilizados por longo período de tempo (BUHÉ et al., 1997 apud JOHN et al., 2007). Assim, o setor de construção civil pode incorporar, em seus materiais e produtos, resíduos gerados por sua própria atividade e por outros setores produtivos.

Entretanto, como muitos dos referidos resíduos contém metais pesados e outras substâncias tóxicas, torna-se necessário comprovar que a sua utilização não resulta em perigo para o meio ambiente e para a saúde pública. Os ensaios de lixiviação são utilizados neste contexto para avaliar o risco de contaminação ambiental, provocada por resíduos de materiais contendo resíduos, quando em contato com águas superficiais ou subterrâneas e assim aferir o seu grau de imobilização e periculosidade (TORGAL e JALALI, 2010).

Emissão de GEE na produção dos materiais de construção

Posted on: junho 26th, 2012 by Seção de Tecnologia da Informação

A produção de materiais de construção emite quantidades significativas de gases responsáveis pelo aumento do efeito estufa (GEE). Sua principal consequência seria aumentar a temperatura na biosfera acarretando mudanças climáticas, como a elevação do nível dos mares por expansão térmica dos oceanos e degelo das camadas polares. Outros efeitos previstos são aumentos da incidência de fenômenos como furacões, tornados e chuvas torrenciais.

Conforme TAVARES (2006), entre os gases do efeito estufa, estão incluídos: vapor d’água, dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), ozônio troposférico (O3) e clorofluocarbonetos (CFC’s). Destes, o CO2 de natureza antropogênica, é o mais importante em termos de efeito radioativo – com aproximadamente 55% das emissões – e também o mais significativo no que se refere à produção dos materiais de construção (BUCHANAN e HONEY, 1994 apud TAVARES, 2006).

 Vale ressaltar que materiais similares podem apresentar emissões diferenciadas ao longo do tempo e em diferentes regiões, sendo sempre importante favorecer, para cada situação específica, a escolha de alternativas associadas às menores emissões e impactos ambientais.