Engenharia Sustentável
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Critérios para escolha sustentável de materiais

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As atividades do setor da construção civil são responsáveis por elevados impactos ambientais, relacionados, principalmente, à extração de altas quantidades de matérias-primas não renováveis, aos elevados consumos energéticos, às emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa e à produção de resíduos perigosos.

Torna-se essencial, portanto, adotar novas práticas e atitudes capazes de criar um ambiente construído saudável, baseado na utilização eficiente de recursos e em princípios ecológicos. É dentro deste contexto que está inserida a denominada “construção sustentável”.

Em 1994, o Conselho Internacional da Construção – CIB, definiu sete princípios para a construção sustentável (KIBERT, 2008 apud TORGAL e JALALI, 2010):

  • redução do consumo de recursos;
  • reutilização de recursos;
  • utilização de recursos recicláveis;
  • proteção da natureza;
  • eliminação de tóxicos;
  • aplicação de análises de ciclo de vida em termos econômicos;
  • ênfase na qualidade.

Nos últimos anos, diversos métodos capazes de avaliar a sustentabilidade de uma construção foram desenvolvidos, tais como ferramentas computacionais para análise do ciclo de vida, ou sistemas de certificação ambiental. Muitos destes métodos têm aplicação específica para edifícios, os quais possuem papel de destaque no âmbito da construção sustentável.

Este fato, provavelmente, está relacionado com o elevado consumo energético operacional dos edifícios, o que não ocorre com as demais obras. Muitos esforços foram feitos no sentido da redução da energia operacional, por meio do aumento da eficiência energética dos edifícios. Porém, à medida que a energia operacional é reduzida, a parcela referente à energia incorporada nos materiais de construção torna-se cada vez mais preponderante (TORGAL e JALALI, 2010).

Conforme SPIEGEL e MEADOWS (2006) apud SILVA (2007), a interseção entre sustentabilidade e uso de materiais abrange duas questões principais:

  • O que estamos usando?
  • Quão bem estamos usando?

A resposta à primeira pergunta tem impactos importantes nos recursos naturais e na saúde relativa do ambiente. Os que recursos que estamos usando podem ser inesgotáveis no horizonte humano de tempo, ou seja, renováveis, ou não.

A pergunta sobre quão bem estamos usando tais recursos deve ser respondida considerando as implicações no desempenho do material, incluindo durabilidade, eficiência energética, quantidade de resíduo gerado e potencial para reuso e reciclagem (SPIEGEL e MEADOWS, 2006 apud SILVA, 2007).

Dentro deste contexto, ISAIA (2010) afirma que, em contraposição com o conceito de produção tradicional em ciclo aberto, no qual sempre há descarte ou resíduos, o novo conceito de desenvolvimento sustentável deve adotar o ciclo de produção fechado, no qual as perdas durante todas as etapas são mínimas e o descarte é próximo de zero. Esse processo sustentável de produção baseia-se, portanto, na redução do consumo de materiais e de matérias-primas, por meio das seguintes ações:

  • aperfeiçoamento dos projetos, de forma a minimizar e otimizar o consumo de materiais;
  • substituição de materiais tradicionais com alto conteúdo energético ou descarte por outros com melhor eficiência de relação energia/massa;
  • aumento da durabilidade dos materiais pela seleção daqueles com melhor desempenho e maior vida útil;
  • redução da geração de resíduos e sua reutilização por meio da reciclagem.

JOHN e GLEIZE (2010) ressaltam a importância do desenvolvimento de materiais de alta eco-eficiência, que:

  • apresentem grande durabilidade;
  • propiciem, quando comparados com as soluções tradicionais, menor impacto ambiental da construção ao longo do seu ciclo de vida;
  • sejam recicláveis ou desmontáveis e reutilizáveis;
  • permitam consumo de materiais muito inferior ao dos materiais tradicionais, atendendo as diferentes funções: estruturais, isolamento acústico, térmico, entre outras. Este critério está relacionado com a desmaterialização da construção: construir utilizando menos matérias-primas.

Segundo TORGAL e JALALI (2010), os materiais de construção eco-eficientes são aqueles que, dentre as várias alternativas possíveis, apresentam menor impacto ambiental. Os mesmos autores afirmam que, do ponto de vista da sustentabilidade, a escolha dos materiais de construção deve privilegiar aqueles que:

  • originam-se de fontes renováveis;
  • não apresentem toxicidade;
  • possuam baixa energia incorporada;
  • sejam recicláveis e duráveis;
  • possam permitir o reaproveitamento de resíduos de outras indústrias;
  • estejam associados a baixas emissões de gases responsáveis pelo aumento do efeito estufa (GEE);
  • tenham sido escolhidos levando-se em conta uma análise do seu ciclo de vida.

Conforme afirmam SUZUKI e McCONNELL (1997), o crescimento exponencial da população fará com que, em algum momento, a demanda por recursos não renováveis superará a sua disponibilidade. Neste sentido, a utilização de materiais provenientes de fontes renováveis contribui de forma significativa para o desenvolvimento sustentável.

A durabilidade do material de construção e a facilidade de manutenção do mesmo, também devem ser consideradas quando se trata de sustentabilidade. Isto porque um material mais durável apresentará maior vida útil e, consequentemente, menor impacto ambiental e um material de mais fácil manutenção além de contribuir para reduzir o consumo de recursos naturais, ainda reduz os custos operacionais.