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Toxidade dos materiais de construção

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As construções correntes incorporam milhares de combinações de químicos e metais pesados. São diversos os materiais de construção que apresentam algum grau de toxicidade, seja esta relacionada aos impactos ambientais da sua produção, à redução da qualidade do ar do interior das edificações ou mesmo à presença em sua composição de resíduos tóxicos.

De modo geral, as principais substâncias tóxicas a serem consideradas são:

Organoclorados (dioxinas e furanos) – são resíduos químicos provenientes de processos industriais que envolvem cloro, como por exemplo, os relacionados à produção do policloreto de vinila (PVC), que é um polímero formado basicamente por cloro e etileno. Os organoclorados são emitidos para o ar e, se inaladas, acarretam riscos à saúde, com a agravante de serem bioacumuláveis no organismo. A contaminação pode se estender a toda a biodiversidade em decorrência da estrutura da cadeia alimentar. Apesar de não existirem estudos conclusivos sobre os riscos a saúde humana do uso do PVC como material de construção, os impactos negativos durante sua produção justifica considerar sua substituição por alternativas, quando isso for possível.

Compostos orgânicos voláteis (COV’s) – Entre as principais questionamentos atuais sobre a toxidade dos materiais construtivos podemos citar os Compostos Orgânicos Voláteis ou COV’s. Os COV’s são compostos a base de carbono como hidrocarbonetos aromáticos e alifáticos, hidrocarbonetos contendo halogênio, cetonas, ésteres, álcoois, que volatizam a temperatura de 50ºC a 260ºC. Os COV’s são tóxicos, cancerígenos e poluidores. Eles são liberados por diversos materiais e elementos construtivos como tintas, vernizes, solventes, adesivos, carpetes, contraplacados e produtos de limpeza. Além da toxidade, os COV’s quando liberados na atmosfera contribuem para o fenômeno de smog fotoquímico, uma névoa de poluição que aparece nas cidades devido a reação fotoquímica, ou seja, na presença da luz solar, do oxido de nitrogênio e dos COV’s com o ozônio troposférico.

Vários estudos forma realizados para analisar as emissões de COV’s pelos materiais e componentes construtivos. A maioria destes estudos buscou caracterizar e quantificar as emissões e relacioná-las com os impactos no meio ambiente e na saúde humana. Os resultados mostraram que os materiais e produtos de construção de base polimérica emitem COV’s e diminuem a qualidade do ar no interior das edificações causando danos a saúde humana e poluem o meio ambiente natural (Popa & Haghighat, 2003). Por isso devemos dar preferência a materiais e componentes de baixa emissão de COV’s como por exemplo, tintas, vernizes e adesivos a base de água.

Materiais contento amianto – Assim como os COV’s, também o amianto ou asbesto vem sendo questionado quanto ao seu impacto negativo na saúde humana. O asbesto é o nome comercial dados a várias fibras de minerais metamórficas de ocorrência natural. Devido as suas propriedade de grande flexibilidade, e alta resistência a tração, química e térmica, o asbesto é utilizado em vários produtos para construção como telhas, placas, revestimentos, isolamentos e tubos. As fibras minerais do asbesto produzem um pó de partículas muito pequenas em escala nanométricas que particulam no ar e são facilmente inaladas e ingeridas provocando sérios danos a saúde. Mossman et.al (1990), Wang et. al (2011), Cullinan & Pearce (2012), estudaram estes possíveis danos nas edificações e concluíram que o uso de materiais com bases em fibras de asbesto apresentam graves danos a saúde dos usuários dos edifícios.

O asbesto possuem fibras de origem anfibólia e crisotila. O asbesto anfibólico apresenta alta toxidade e atualmente é proibido em todo mundo. O asbesto crisotilo é proibido em algumas regiões do planeta, mas em outras regiões ele é amplamente utilizados. Muitos pesquisadores defende a proibição total de seu uso. A União Europeia proíbe o uso de qualquer tipo de asbesto desde de 2005, assim como o Canadá, Argentina, Chile e Uruguai. No Brasil alguns estados e cidades proíbem o uso de qualquer tipo amianto, mas, em grande parte do território seu uso é permitido. Face aos potenciais riscos a saúde humana, em uma seleção de materiais construtivos com uma abordagem na sustentabilidade, os produtos que utilizam amianto devem ser evitados.

Metais pesados – Os metais pesados podem ser lixiviados e contaminar corpos d’água e solo trazendo danos à saúde. Como exemplo podemos citar o uso de chumbo para fabricação de canalizações para abastecimento de água, que por sua vez sofre contaminação em consequência dos produtos de corrosão formados em sua superfície interna. Pessoas contaminadas podem sofrer redução de capacidades intelectuais, problemas de comportamento e até mesmo morte por envenenamento (CANFIELD et al., 2003; TROESKEN, 2006).

Assim, a escolha dos materiais deve ser feita com especial cuidado, sempre selecionando alternativas a materiais tóxicos ou perigosos e ponderando a utilização dos quais possa haver dúvidas quanto à sua toxidade.