Engenharia Sustentável
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Concepção do espaço

Espaços otimizados

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Concebemos espaços para atender funcionalmente a certas necessidades de uso. Sob a ótica do consumo de materiais, algumas concepções espaciais podem atender às nossas necessidades de forma mais eficiente que outras. Alguns ambientes, como os de circulação ou corredores, devem merecer atenção especial. Os corredores são ambientes de transição que têm a função única de ligar espaços. Os corredores são áreas apenas de passagem e não permanecemos neles. Eles são, portanto, espaços entre espaços. Para otimizar os espaços de circulação podemos ou eliminá-los, sem prejuízo da função de conexão, ou aumentá-los, agregando outras funções a eles.

A otimização dos espaços também passa por estratégias como a multifuncionalidade, a flexibilidade, a adaptabilidade e a agregação de funções. Ao reunirmos funções em um mesmo ambiente, podemos reduzir nossa necessidade de outros ambientes para acolher determinadas funções. A flexibilidade permite a liberdade de reformular a organização do espaço interno. Segundo Rabeneck et al. (1974) as estratégias de projeto que permitem a flexibilização dos espaços são:

  • uso de divisórias internas não portantes e removíveis;
  • a ausência de colunas dividindo os ambientes ou uso de grandes vãos;
  • a concepção das instalações setorizadas e desvinculadas das vedações;
  • setorização da área úmida, das instalações de serviços e da área seca;
  • localização das portas e das janelas, de maneira a permitir mudança de posição sem comprometer as funções das vedações; e
  • uso de formas geométricas simples nos ambientes.

Na estratégia de agregação de funções no espaço, concebemos ambientes com duas ou mais funções compatíveis. Estas funções podem ocorrer simultaneamente ou em momentos distintos, tornando os ambientes multifuncionais. Ao reunir funções no mesmo espaço, diminuímos tanto a necessidade de ambientes na edificação quanto a necessidade de elementos e componentes construtivos para separação dos ambientes.

A estratégia de adaptabilidade busca conceber os espaços de forma a permitir uma variação de uso e função dos mesmos. Assim, no projeto não são determinadas condições rígidas de uso dos espaços, permitindo que o usuário decida como usá-los.

As estratégias de flexibilização e multifuncionalidade dos espaços, além de otimizar os mesmos, mostra-se adequada para evitar a obsolescência funcional da edificação, que é agravada pelo fenômeno contemporâneo de surgimento de novas demandas de uso para os espaços construídos. Essas novas demandas são decorrentes das mudanças profundas que ocorrem em nosso estilo de vida, tornam-se cada vez mais velozes e repercutem na concepção de nossas habitações e espaços construídos de modo bem mais lento. Um exemplo desta mudança é o desenvolvimento de grande variedade de equipamentos elétricos e eletrônicos que usamos para nossas atividades de moradia, trabalho e lazer, e a importância que os mesmos possuem em nossa qualidade de vida. De modo geral, as edificações e construções existentes e concebidas de forma convencional podem ser atualizadas para estas novas funções, especialmente nos aspectos de infraestrutura de instalações. Podemos, por exemplo, implantar uma rede de internet em uma edificação antiga e usar nossos computadores nela para trabalhar. Porém, algumas mudanças em nosso estilo de vida implicam uma adequação espacial da construção. A dinâmica das atividades que desenvolvemos muitas vezes altera radicalmente o uso de determinada edificação, podendo ser necessária uma intervenção na construção. Caso seja necessária uma adequação construtiva do espaço, teremos, entre outras consequências, o consumo de recursos naturais. Nossas edificações são projetadas para durar 50 anos ou mais, e a adequação do espaço também deve ser pensada para este período.